Querido diário, faz um tempo que
não escrevo aqui, mas hoje eu precisava disso.
Tudo começou no natal de 2003. Eu
conheci essa pessoa maravilhosa e foi amor à primeira vista, se é que isso
existe. Ele não me notou, mas não sei porque isso me afetou tanto, não é a
primeira e nem a última vez que isso acontece.
Não consegui descobrir o nome dele
e pra dizer a verdade nem tentei tanto assim. O máximo que eu conseguiria era
seu nome, número de telefone e um primeiro e último encontro.
Afinal de contas foi assim que a
minha vida sempre seguiu. Você sabe disso né diário?
Passou-se um ano e lá estávamos
novamente. No mesmo lugar, na mesma festa, perto da mesma árvore de natal. Só
que desta vez, ele estava acompanhado e eu passei o resto da festa pensando no
que eu errei, me arrependendo amargamente de não ter puxado assunto no natal
passado. Quem sabe eu estaria acompanhando-o neste natal. Mas infelizmente, as
coisas acontecem e os momentos se perdem.
No natal de 2005, eu estava doente.
Uma gripe daquelas que você nem consegue sair da cama. Fiquei metade da noite,
espirrando e sentindo náuseas e a outra metade, me sentindo aflita por perder a
festa de natal e mais uma oportunidade de vê-lo.
Em 2006, eu estava feliz e em um
relacionamento sério, então passamos a noite de natal com a família e sabe, foi
bem agradável, mas no fundo, eu estava chateada por mais uma oportunidade
perdida.
Finalmente em 2007, foi o ano que
eu planejei tudo. Desde a certeza em comparecer à festa, o esbarrão acidental e
o beijo tímido de despedida. Mas infelizmente eu não contava que ele não
apareceria. Esperei a noite inteira e como não sabia seu nome, ficou difícil
perguntar para alguém o que havia acontecido.
Em 2008, eu estava feliz novamente,
eu estava tão feliz que nem me preocupei com aquela pessoa. Eu estava em um
relacionamento sério e havia o conhecido em uma festa de ano novo de uma amiga
em comum. Na véspera do natal ele insistiu para que fossemos em uma festa.
Aceitei e ao chegar ao local, percebi que a rua era conhecida e a casa era
muito familiar.
No fim das contas, essa era a festa
que ia todos os anos.
Ao entrar na casa, me deparo
instantaneamente com a pessoa que procurei todos esses anos.
Ele veio em minha direção e me abraçou.
Dizendo meu nome, falou que estava ansioso para me ver.
Eu estava em choque e quase não
percebi quando ele abraçou meu namorado e disse que estava morrendo de saudades
do irmão.
E agora diário? O que eu faço?
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