segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

QUERIDO DIÁRIO por ARIANE ARANHA

Querido diário, faz um tempo que não escrevo aqui, mas hoje eu precisava disso.
Tudo começou no natal de 2003. Eu conheci essa pessoa maravilhosa e foi amor à primeira vista, se é que isso existe. Ele não me notou, mas não sei porque isso me afetou tanto, não é a primeira e nem a última vez que isso acontece.
Não consegui descobrir o nome dele e pra dizer a verdade nem tentei tanto assim. O máximo que eu conseguiria era seu nome, número de telefone e um primeiro e último encontro.
Afinal de contas foi assim que a minha vida sempre seguiu. Você sabe disso né diário?
Passou-se um ano e lá estávamos novamente. No mesmo lugar, na mesma festa, perto da mesma árvore de natal. Só que desta vez, ele estava acompanhado e eu passei o resto da festa pensando no que eu errei, me arrependendo amargamente de não ter puxado assunto no natal passado. Quem sabe eu estaria acompanhando-o neste natal. Mas infelizmente, as coisas acontecem e os momentos se perdem.
No natal de 2005, eu estava doente. Uma gripe daquelas que você nem consegue sair da cama. Fiquei metade da noite, espirrando e sentindo náuseas e a outra metade, me sentindo aflita por perder a festa de natal e mais uma oportunidade de vê-lo.
Em 2006, eu estava feliz e em um relacionamento sério, então passamos a noite de natal com a família e sabe, foi bem agradável, mas no fundo, eu estava chateada por mais uma oportunidade perdida.
Finalmente em 2007, foi o ano que eu planejei tudo. Desde a certeza em comparecer à festa, o esbarrão acidental e o beijo tímido de despedida. Mas infelizmente eu não contava que ele não apareceria. Esperei a noite inteira e como não sabia seu nome, ficou difícil perguntar para alguém o que havia acontecido.
Em 2008, eu estava feliz novamente, eu estava tão feliz que nem me preocupei com aquela pessoa. Eu estava em um relacionamento sério e havia o conhecido em uma festa de ano novo de uma amiga em comum. Na véspera do natal ele insistiu para que fossemos em uma festa. Aceitei e ao chegar ao local, percebi que a rua era conhecida e a casa era muito familiar.
No fim das contas, essa era a festa que ia todos os anos.
Ao entrar na casa, me deparo instantaneamente com a pessoa que procurei todos esses anos.
Ele veio em minha direção e me abraçou. Dizendo meu nome, falou que estava ansioso para me ver.
Eu estava em choque e quase não percebi quando ele abraçou meu namorado e disse que estava morrendo de saudades do irmão.
E agora diário? O que eu faço?


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

AMOR por ARIANE ARANHA

Eu não sei o que é o amor, mas me disseram que é difícil.
É um bambear de pernas, um gaguejar de palavras.
Palavras que somem quando mais precisamos delas.
É um desespero feliz.
Uma dor no peito que acalma ao ser sentida.
Uma graça sem graça e nem motivo.
Um bem-estar mesmo quando não está.
Me disseram que é forte, que é bom e que é único.
Que um toque da pessoa amada, é igual a uma descarga elétrica que caminha pr’um único destino: o coração.
Mas eu não sei o que é o amor.

E isso foi tudo que me disseram.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

CÍRCULO VICIOSO por ARIANE ARANHA

Acordo.
Meu primeiro instinto é estender minha mão para o criado mudo e alcançar meu celular. Na barra de notificações, consta apenas alguns e-mails inúteis e nenhuma mensagem sua. Vou ao banheiro e depois, tomo o café da manhã. Retorno ao quarto, onde meu celular ainda estava no criado mudo. E nada. Sem mensagens sua.
Tomo banho e troco de roupa para ir ao trabalho. Antes de sair de casa, acho melhor apenas confirmar se alguma mensagem havia chegado.
Nada.
Demoro cerca de 1h30 para chegar ao trabalho. Assim que eu entro no prédio, o wifi conecta automaticamente e meu telefone vibra. Recebo uma mensagem. Mas não era sua. Era apenas de um pessoal no grupo da faculdade esbravejando sobre demora na liberação das notas.
Entro na minha sala, ligo o computador e pego um copo de água. Quando retorno à mesa, confiro novamente o celular e há uma mensagem. Do meu chefe, informando que iria se atrasar para chegar ao trabalho.
Quando percebo, já é hora do almoço. Deixo meu celular dentro da minha bolsa e vou almoçar.
No retorno do almoço, consigo deter a ansiedade de checar novamente as mensagens e escovo os dentes.
A tarde passa rapidamente silenciosa. Já é 17h e durante a tarde eu não olhei meu celular uma vez sequer.
Pego-o de dentro da minha bolsa e olho. Nenhum resquício de mensagens.
Desligo o computador, fecho a porta da sala e tranco a porta principal do prédio. Me encaminho até o ponto de ônibus e espero. Após 2h de percurso, eu estou em casa.
Abro o portão, a porta e passo pelos cômodos até chegar ao meu quarto. Tranco a porta, coloco meu celular no criado mudo, tomo banho e troco de roupa. Assisto um filme, e depois mais outro, e outro, e outro. Me dou conta que já são meia noite e olho novamente meu celular.
Nada.
Mais um dia se passa igual a todos os outros.
Eu espero e você nunca vem.
Caio no sono pensando nos porquês da vida.
Durmo.
Acordo.
Meu primeiro instinto é estender minha mão para o criado mudo e alcançar meu celular. Na barra de notificações, consta apenas alguns e-mails inúteis e nenhuma mensagem sua. Vou ao banheiro e depois, tomo o café da manhã. Retorno ao quarto, onde meu celular ainda estava no criado mudo. E nada. Sem mensagens sua.
Tomo banho e troco de roupa para ir ao trabalho. Antes de sair de casa, acho melhor apenas confirmar se alguma mensagem havia chegado.
Nada.
Demoro cerca de 1h30 para chegar ao trabalho. Assim que eu entro no prédio, o wifi conecta automaticamente e meu telefone vibra. Recebo uma mensagem. Mas não era sua. Era apenas de um pessoal no grupo da faculdade esbravejando sobre demora na liberação das notas.
Entro na minha sala, ligo o computador e pego um copo de água. Quando retorno à mesa, confiro novamente o celular e há uma mensagem. Do meu chefe, informando que iria se atrasar para chegar ao trabalho.
Quando percebo, já é hora do almoço. Deixo meu celular dentro da minha bolsa e vou almoçar.
No retorno do almoço, consigo deter a ansiedade de checar novamente as mensagens e escovo os dentes.
A tarde passa rapidamente silenciosa. Já é 17h e durante a tarde eu não olhei meu celular uma vez sequer.
Pego-o de dentro da minha bolsa e olho. Nenhum resquício de mensagens.
Desligo o computador, fecho a porta da sala e tranco a porta principal do prédio. Me encaminho até o ponto de ônibus e espero. Após 2h de percurso, eu estou em casa.
Abro o portão, a porta e passo pelos cômodos até chegar ao meu quarto. Tranco a porta, coloco meu celular no criado mudo e troco de roupa. Assisto um filme, e depois mais outro, e outro, e outro. Me dou conta que já são meia noite e olho novamente meu celular.
Nada.
Mais um dia se passa igual a todos os outros.
Eu espero e você nunca vem.
Caio no sono pensando nos porquês da vida.
Durmo.

Acordo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

UM ANO por ARIANE ARANHA

Hoje completa um ano daquela carta que não te enviei.
Um ano desde que te amei pela última vez.
Um ano desde que pensei em você com carinho.
Faz um ano que trilho esse caminho solitário de mágoas e raivas.
Faz um ano que sinto ódio de mim mesma por me deixar ser enganada e tentar, por um ano te esquecer.
Faz um ano que não penso no meu futuro ao seu lado.
Faz um ano que não sou enganada e não me sinto traída.
Faz um ano que você parou de me amar.
E faz um ano que você se esqueceu de me contar que parou de me amar.
Mas também faz um ano que não sorrio e não sei o que é felicidade.

Meu ano parou quando escrevi a última palavra daquela carta que não te enviei.